Volvo lança estratégia agressiva para retomar crescimento global
A Volvo anunciou que lançará 13 novos modelos até 2030, como estratégia para recuperar sua participação no mercado automotivo global e enfrentar a crescente concorrência, especialmente vinda das marcas chinesas. A medida foi detalhada a investidores em meio a desafios enfrentados pela montadora na China e nos Estados Unidos.
Dos novos veículos, seis serão destinados ao mercado chinês e sete para o Ocidente, contemplando modelos elétricos e híbridos. A decisão evidencia a busca por diversificação e adaptação a diferentes demandas regionais. Segundo Francesca Gamboni, chefe da cadeia de suprimentos da empresa, a Volvo irá criar carros grandes para os EUA, pequenos e médios para a Europa e de porte médio para a China.
A fabricante sueca enfrenta atualmente tarifas elevadas nos EUA e uma queda significativa nas vendas na China, além dos custos de desenvolvimento dos elétricos, que pressionam sua rentabilidade. A meta anunciada é que a margem de lucro operacional supere 8% até 2030, ante projeção de 3,5% para 2025.
A separação de tecnologias ocidentais e chinesas se tornou obrigatória após restrições impostas à Polestar, marca irmã da Volvo, nos Estados Unidos. Esse movimento traduz a complexidade crescente do ambiente geopolítico para as montadoras globais.
Além dos lançamentos, a Volvo avalia produzir veículos de terceiros em suas fábricas na China e na Bélgica, como parte de um plano mais amplo de parcerias. "Estamos abertos a fabricar para outras marcas", afirmou Gamboni, destacando a unidade de Chengdu (China) e Ghent (Bélgica) como potenciais polos para essa estratégia.
A busca por novas soluções não é exclusiva da Volvo. O cenário de competitividade global já levou outras montadoras, como Volkswagen e Jaguar Land Rover, a anunciarem cortes e reestruturações, principalmente na Europa, para reagir à ascensão das concorrentes chinesas. Diante desse cenário, Michael Fleiss, diretor de estratégia da Volvo, garantiu que a empresa não cogita o fechamento de fábricas, diferentemente de algumas rivais.