As vendas de veículos importados cresceram 1,2% no primeiro bimestre, somando 9,2 mil unidades até fevereiro, segundo balanço da Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa), divulgado na segunda-feira, 7.
As vendas das marcas associadas que mantêm produção nacional, Caoa Chery, Land Rover e Suzuki, somaram 6,8 mil unidades no período. Já as demais 2,4 mil unidades correspondem aos modelos de veículos importados pelas três empresas mais Aston Martin, BYD, JAC, Jaguar, Kia, McLaren, Porsche e Volvo.
Apenas em fevereiro os emplacamentos totais das associadas somaram 4,7 mil unidades, alta de 3% ante as vendas realizadas em janeiro e 10,5% a mais do que o volume licenciado em fevereiro do ano passado, indicaram os números do balanço.
De acordo com o presidente da entidade, João Oliveira, ainda pesa contra o setor o dólar valorizado ante o real, um dos responsáveis, segundo o executivo, pela queda de 37% das vendas dos modelos importados no primeiro bimestre na comparação com o mesmo período no ano passado.
“Os números indicam o fundo do poço, mas temos a expectativa de que a partir de março possa haver uma retomada dos números, com a melhoria dos indicadores”, disse o representante da entidade durante transmissão online.
O dólar no patamar em que está, por volta dos R$ 5, exerce forte pressão sobre os preços dos carros importados praticados no mercado brasileiro. Um quadro que, segundo Oliveira, contracena com a atual corrosão do poder de compra do brasileiro influenciada pelos juros altos e inflação.
Guerra preocupa importadores
Por outro lado, não é apenas o dólar caro que preocupa a Abeifa no momento. O conflito Rússia-Ucrânia também passou a ser um fator crítico neste momento para as suas associadas, uma vez que algumas delas mantêm parque de fornecedores na região afetada hoje pela guerra.
“Uma das nossas associadas, por exemplo, recebe chicotes elétricos de fornecedor instalado na Ucrânia. A situação na região acaba influenciando na operação logística da empresa”, contou João Oliveira.
No recorte com as três montadoras que mantêm fabricação aqui - Caoa Chery, Land Rover e Suzuki -, no entanto, houve alta de 29% nas vendas no primeiro bimestre, indicando que há demanda no país, ainda que a Abeifa se mostre cautelosa ao tratar deste ponto. “Muitos dos emplacamentos realizados agora foram fechados no ano passado”, contou o presidente da associação.
De todo modo, a entidade projeta um crescimento de 2% nos licenciamentos este ano em relação ao total emplacado no ano passado pelas suas associadas. Se o prognóstico se confirmar em dezembro de 2022, as associadas da Abeifa vão registrar cerca de 26 mil unidades emplacadas este ano.