Sindipeças critica reatividade do governo ao tarifaço
O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Cláudio Sahad, manifestou forte insatisfação com a postura do governo do Brasil diante do aumento abrupto de tarifas conhecido como tarifaço, que elevou os impostos sobre autopeças importadas para até 52,5%.
Segundo Sahad, "entendo que vai ser muito difícil ter uma solução via governo," e afirmou que, dependendo das negociações governamentais, a situação deve persistir por um longo período. Ele destacou ainda a iniciativa do setor privado em tentar incluir autopeças na lista de exceções do novo imposto, que inicialmente era de 2,5% e foi aumentando ao longo do ano até chegar a 52,5%.
O dirigente ressaltou que:
90% das exportações de autopeças do Brasil são destinadas à montagem de veículos, e não ao mercado de reposição.
As empresas já começaram a solicitar a seus clientes nos EUA que levem à chancelaria americana os prejuízos causados pelo tarifão.
Cláudio Sahad também alertou que ainda não é possível estimar os impactos completos do tarifão, uma vez que 'a poeira ainda está no ar' e os efeitos no faturamento decorrerão com o tempo. Nesse momento, a orientação do sindicato é esperar a poeira baixar e evitar movimentos que possam prejudicar ainda mais as empresas do setor.
Ele destacou que muitas companhias estão atrasando embarques e que as que precisam embarcar antes do limite de 6 de setembro aceitam pagar a tarifa de 12,5% para não perder a validade do procedimento. Segundo Sahad, pagar a tarifa atual de 52,5% é um "absurdo" e deve ser evitado ao máximo.