A infraestrutura de recarga de veículos elétricos no Brasil registrou um crescimento de 14% nos últimos seis meses, atingindo atualmente 16.880 pontos distribuídos por 1.499 municípios. Segundo o levantamento da Tupi Mobilidade em parceria com a ABVE, o destaque na expansão vai para os carregadores rápidos (DC), que cresceram 59% no mesmo período, demonstrando uma prioridade crescente dos operadores em investir em recarga de longa distância.
O avanço na quantidade de pontos de recarga ocorre em um momento histórico de aumento na frota de veículos elétricos e híbridos no Brasil, que alcançou 302.225 unidades em agosto, segundo dados da ABVE. Desse total, 44,5% são veículos 100% elétricos (BEV), que dependem exclusivamente da infraestrutura de recarga, enquanto os híbridos plug-in (PHEV) representam 55,5%, operando parcialmente com motor de combustão.
Apesar do crescimento expressivo dos carregadores rápidos, a maior parte da infraestrutura ainda é composta por carregadores de carga lenta (AC), que representam 77% do total. Davi Bertoncello, diretor de comunicação da ABVE, destaca que a redução de custos e a demanda por viagens de longa distância estimulam investimentos em recarga rápida, que hoje representam uma parcela significativa da expansão.
O levantamento também aponta uma expansão regional desproporcional, com o Norte apresentando um avanço de 62,2%, e reforçando a ideia de que regiões anteriormente menos atendidas estão ganhando destaque na estratégia de implementação de infraestrutura de recarga. Atualmente, o Sudeste lidera com mais de 8.000 pontos instalados, refletindo sua maior densidade de veículos elétricos e maior desenvolvimento de mercado.
No entanto, desafios permanecem, especialmente na expansão de carregadores lentos, que enfrentam entraves regulatórios e a espera por normas de segurança mais claras, como a futura norma da Ligabom. Ainda assim, o crescimento da rede aponta para uma evolução contínua, com perspectivas otimistas para o setor de mobilidade elétrica no Brasil.