A Convenção da NADA (National Automobile Dealers Association), aconteceu entre os dias 01 e 04 de fevereiro em Las Vegas (EUA). Com o tema ‘Driving The Futuro’ (Dirigindo o Futuro), nesta edição a convenção ofereceu um programa completo de produtos inovadores, tendências emergentes e oportunidades de networking para todas as áreas da concessionária.
Segundo Luís Antônio Sebben, vice-presidente da Fenabrave Nacional e gestor do Grupo Slaviero, todos os anos a convenção tem um ou dois temas principais que definem tanto a conferência quanto o próximo ano para o setor automotivo. No ano passado, que a convenção foi em Dallas, falou-se muito na captação de dados, como a indústria vem progredindo significativamente, juntando informações valiosas sobre a jornada dos clientes. Falou-se também de plataformas de dados, clientes, CPD’s, varejo digital, dados dos usuários e tecnologia.
"Isso permitiu que analisássemos de uma forma completa o esforço de toda a indústria que impulsionou essa área de tecnologia e infraestrutura do setor. Bem, isso trouxe muitas possibilidades interessantes e esse ano as coisas mudaram. A gente já começa a ver os frutos desse trabalho que foi feito lá nos Estados Unidos e que também muita indústria trouxe aqui para o Brasil”, diz.
Na edição de 2024 da NADA, ficou claro o foco no cliente. "Será um ano em que vai se aproveitar todas essas informações de dados para fornecer uma experiência melhor e mais centrada no cliente automotivo. A visão é que os concessionários que reconheceram o esforço de buscar informações de como se preparar tecnologicamente nos últimos anos tem uma condição especial agora para explorar. A gente sabe que não adianta acumular grandes quantidades de dados. É preciso aproveitá-los para impulsionar o crescimento dos negócios e melhorar as experiências dos clientes. Então, desde sites de concessionários personalizados até planos de marketing, as possibilidades são muito grandes e o foco está na personalização do comprador. Se as empresas não olham isso, precisam se adiantar para não ficar para trás”, aconselha Sebben, durante a NADA.
NADA: Veículos elétricos
O gestor explica que o que se falou na NADA nessa área de transição para veículos elétricos é muito parecido com o que acontece no Brasil, que pode demorar um pouquinho mais, mas vai acontecer, é que essa transição iniciou e não tem volta. A diferença de anos atrás para agora não será tão rápida quanto imaginava-se, por alguns motivos: a infraestrutura em países desenvolvidos ainda é pequena. Nos menos desenvolvidos é bem menor ainda Carros elétricos têm dificuldade para serem recarregados em hotéis, têm dificuldades em postos, é muito demorado. Outra questão muito discutida é como gerar essa energia nos países que não têm energia, geração de energia limpa.
"Chegou-se à conclusão de que os governos que vinham colocando dinheiro para tentar acelerar deram uma segurada nisso. E nos Estados Unidos em particular, que seria um grande exemplo, assim como na Europa também, as concessionárias perceberam que precisam não ir com tanta sede ao pote. Ir mais devagar um pouco, acompanhar mais o desenvolvimento. Isso também é perceptível pelas montadoras que tiraram o pé. Com exceção das chinesas que têm uma capacidade instalada maior do que a demanda. Eles estão procurando exportar esses veículos com preços subsidiados, prejudicando as negociações na Europa. Aqui no Brasil, à medida que o governo também impõe restrições e taxas de importação, pode dificultar para frente”, esclarece.
Na análise global, as montadoras americanas seguraram um pouco o desenvolvimento dos veículos elétricos. "Vamos ter veículos elétricos, mas bem mais devagar do que se imaginava, sem colocar restrições a veículos tradicionais, combustão, e mesmo nos veículos da combustão, está se buscando novas tecnologias para reduzir a emissão de poluentes. Aqui no Brasil mesmo, a gente vai ter veículos comerciais elétricos, veículos comerciais a gás, biocombustível, a uso do etanol, e se fala muito também sobre a evolução dos veículos híbridos, substituindo um pouco essa corrida para o veículo elétrico”, acrescenta Sebben.
NADA: Decisões baseadas em dados
Ainda à medida que as coisas vão avançando nos Estados Unidos e que depois refletem no Brasil, é que as decisões devem ser tomadas baseadas em dados, aproveitar o poder de análise sobre o comportamento do cliente e na experiência personalizada do cliente. "Aqui em Curitiba mesmo, na nossa empresa, você precisa personalizar as campanhas de marketing, as recomendações de veículos e ofertas de serviço para atender as preferências individuais do cliente”, conta.
Sobre a transformação digital, é preciso continuar investindo em ferramentas digitais e plataformas de vendas online para chamar a atenção do cliente, trazê-lo para concessionária e gerar leads, desde navegar pelo inventário de produtos até ficar muito próximo da conclusão das transações. "Devemos ser muito rápidos e nos adaptarmos ao chamado marketing adaptativo. Reintroduzir estratégias de marketing agressivas para se destacar no mercado, que é extremamente competitivo. Marketing digital continua sendo o foco”, ressalta.
Os gestores de concessionárias têm que usar todas as ferramentas disponíveis, conhecimento e tecnologia para se conectar com o cliente. Além disso, é imprescindível reter os bons funcionários para que consigam ter produtividade e qualidade. "O Brasil tem as melhores concessionárias reconhecidas pelas montadoras, com grandes investimentos, com equipes ótimas, bons resultados, e é claro, o relacionamento com as montadoras. Assim como os Estados Unidos, o Brasil é um país muito grande, com peculiaridades em cada região, por isso precisa estar próximo e trabalhar com os seus parceiros de negócio, como montadoras, bancos, seguradoras, demais prestadores de serviço, associações de marca e entidades públicas. Tudo isso voltado para a satisfação dos nossos clientes que acabam trazendo os resultados para as nossas concessionárias”, acrescenta.
NADA: Dealers americanos
Sebben destaca que os concessionários de veículos americanos estão se dedicando a atrair o cliente para a concessionária. "Mudou bastante aquele negócio de atender o cliente online apenas, geração de lead online, atendimento à distância. O cliente quer alguma coisa diferente. Ele quer ser atraído, mas ele quer um ótimo atendimento na concessionária. Então, todos estão se preparando de forma a poder receber os clientes e prestar um ótimo atendimento, e causar uma experiência maravilhosa”, fala o gestor.
Segundo Sebben, existe uma discussão também na rede de concessionários sobre a comercialização dos veículos híbridos, os investimentos necessários em equipamentos, pessoal, estoque e peças. Entretanto, não veem o veículo elétrico muito incentivado. Por isso, buscam manter os clientes atuais, estabelecer um conhecimento do seu mercado e personalizar o atendimento.
Renovação de frota
Há mais de 20 anos, a Fenabrave, o Ministério da Indústria e Comércio, as montadoras, a ANFAVEA, a FEBRABAN, a FENASEG, entre outras entidades, vem buscando uma solução para retirar do mercado os veículos antigos, sem condições de utilização, inseguros e poluidores, que prejudicam a sociedade de um modo geral. "Dessa forma, fomos visitar, nesta viagem para a NADA, uma grande empresa que transforma veículos, retirando todas as partes importantes deste carro, reaproveitando dentro das condições ambientais. Depois, a sucata vai ser amassada e virá aço reciclado. É um negócio importante nos Estados Unidos, extremamente profissional, que exige grandes investimentos”, finaliza.