Indústria automotiva avança, mas carece de profissionais preparados
A falta de mão de obra qualificada se tornou um dos principais entraves para a plena digitalização da indústria automotiva brasileira, conforme destacado durante o Congresso SAE, realizado em São Paulo. Executivos do setor apontaram que, apesar do avanço tecnológico nas fábricas nacionais, a escassez de profissionais especializados tem dificultado a implementação de processos inovadores no ritmo desejado pelo mercado global.
Segundo Tiago Longhi, diretor de digitalização e engenharia industrial da WEG, os parques industriais brasileiros acompanham em tecnologia os padrões internacionais. Entretanto, a ausência de profissionais habilitados em áreas como ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) limita a eficiência dessas inovações, tornando o desafio da competitividade ainda maior.
André Gasparotti, gerente sênior da Embraer, ressaltou que a reindustrialização do país, a transição digital e a economia verde dependem essencialmente de uma força de trabalho qualificada. Ele destacou que a deficiência na formação de talentos compromete todas as etapas do desenvolvimento industrial, criando um círculo vicioso difícil de romper.
O debate revelou também a necessidade de repensar a base da educação nacional. Gasparotti defendeu a inserção de metodologias como STEM desde a educação básica, reforçando a capacitação de professores e promovendo conexões mais próximas entre empresas, escolas e programas de aprendizagem profissional. Esse movimento, embora urgente, ainda é incipiente no Brasil.
Outro ponto citado no Congresso foi o apagão de talentos em segmentos estratégicos, como o de minerais críticos, fundamentais para a transição energética. André Nunis, do IPT, alertou que o Brasil continua dependente de know-how externo, sobretudo da China, por não conseguir formar especialistas em ritmo suficiente para as demandas industriais locais.
Representantes da indústria cobram políticas estruturadas de formação, integração entre academia e setor produtivo e a valorização das habilidades técnicas desde a escolarização. O fortalecimento desses pilares será decisivo para o futuro competitivo da indústria automotiva do Espírito Santo e de todo o país.