Na atual disputa global por minerais críticos, essenciais para a produção de baterias e motores elétricos, o Brasil surge como peça fundamental no tabuleiro geopolítico. Com reservas estratégicas que incluem grafite, terras raras e nióbio, o país possui potencial muitas vezes subutilizado na cadeia industrial do setor automotivo.
Apesar de sua fartura de recursos, o grande desafio é quem irá agregar o valor econômico dessas riquezas. Hoje, a China domina o processamento e a fabricação de componentes, enquanto o Brasil ainda atua majoritariamente como fornecedora de matéria-prima. Essa realidade coloca o país numa encruzilhada entre exportar recursos naturais ou fomentar uma indústria de valor agregado.
O governo Lula tem promovido uma estratégia de políticas e programas voltados à industrialização dos minerais críticos, com ênfase na redução da exportação de minérios e incentivo ao refino e produção de componentes. Entretanto, declarações recentes, como a de Flávio Bolsonaro, evidenciam a importância de o Brasil definir seu papel na nova economia dos veículos elétricos.
Recentemente, montadoras como BYD, GWM e Renault-Geely têm investido em projetos de produção local no Brasil, além da WEG, que anuncia uma fábrica de baterias. Ainda assim, o país permanece dependente de importações, especialmente da China, para células de baterias, ímãs de terras raras e materiais processados. Essa dependência reforça o desafio de construir uma cadeia de valor completa.
A formação de uma cadeia industrial nacional avança por etapas: montagem de packs com células importadas, produção local de células e, por fim, refino e fabricação de componentes. O movimento atual cria condições para essa progressão, mas sem uma política industrial robusta e investimentos em tecnologia, a cadeia continuará fragmentada.
Por fim, o ônus das decisões futuras depende de o Brasil conseguir conciliar suas reservas estratégicas e delicadas fábricas locais para avançar além de ser um mero fornecedor de insumos. Capitalizar parte do valor industrial e fortalecer a cadeia de valor será o grande desafio para que o país participe efetivamente da corrida pelo mercado de veículos elétricos global.
Fontes: estimativas do setor e análises de especialistas em recursos naturais e política industrial.