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segunda-feira, 19 de novembro de 2018
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Toyota Yaris hatch é tudo que o Etios queria ser(19/11/2018 09:00)


O Toyota Yaris hatch tem um irmão gêmeo fraterno: o Etios. Embora sejam fisicamente distintos, os dois compartilham mecânica e plataforma (e a situação não é diferente no caso das configurações sedã de ambos). Porém, apesar das semelhanças de DNA, eles têm personalidades bastante distintas. Enquanto o primeiro se preocupa com a aparência e tem hábitos um pouco mais sofisticados, o segundo é mais despretensioso e despojado.
 
A falta de vaidade sempre atrapalhou o Etios a conquistar pretendentes entre os consumidores. Seu desempenho comercial não chegava a ser ruim, mas sempre ficou atrás de rivais mais preocupados com a aparência, como Chevrolet Onix, Ford Ka e Hyundai HB20. Não por acaso, poucos meses após ser lançado, o Toyota Yaris hatch já superou o irmão por larga margem. Em setembro último, ele emplacou 2.943 unidades, ante apenas 1.165 de seu gêmeo. Nosso teste comprova: esse resultado é justo!
 
Interior do Toyota Yaris hatch é amplo e prático
 
O Toyota Yaris hatch tem todas as qualidades presentes em seu irmão, às quais agrega mais predicados. Como exemplo, vale citar o interior, que é amplo em ambos. Na frente, as dimensões do habitáculo são praticamente as mesmas. Porém, no modelo mais recente, o vão para as pernas no banco traseiro é maior, devido à distância entre-eixos mais generosa, idêntica à da versão sedã do Etios. Há ainda uma vantagem adicional: o assoalho plano, que facilita a vida do quinto ocupante, que também conta com cinto de três pontos e encosto de cabeça. Para um compacto, há bastante espaço a bordo.
 
O porta-malas também é maior que o do modelo de entrada da Toyota. O compartimento tem 310 litros, volume bom para o porte do veículo. O banco traseiro tem encosto bipartido, tornando mais prático o rebatimento. Um detalhe curioso: o macaco não é acondicionado no bagageiro, e sim sob o banco dianteiro. Trata-se de uma herança do Etios, que adota o mesmíssimo arranjo. O acabamento, porém, é bastante superior. Os materiais – leia-se plástico rígido – são semelhantes em ambos os hatches, mas o interior do Yaris é mais vistoso, com design melhor elaborado e apliques que imitam alumínio.
 
A ergonomia do Toyota Yaris hatch também evoluiu comparativamente ao irmão, graças ao posicionamento mais convencional dos instrumentos, à frente do motorista. O cluster tem ótima leitura, ainda que fique devendo o termômetro do fluido de arrefecimento. Mas há alguns inconvenientes presentes em ambos os irmãos, como a coluna de direção sem regulagem de profundidade. O motorista pode ajustá-la apenas em altura, fazendo com que nem todos posicionem-se do melhor modo para dirigir. Todavia, o volante tem boa pegada. Outro deslize é o porta-luvas sem iluminação. No console central, poderiam existir mais porta-objetos.
 
Desempenho correto, mas sem qualquer empolgação
 
Quando o assunto é dirigibilidade, o Yaris também traz muitas semelhanças com o Etios. Pudera, afinal eles compartilham, além da plataforma, os mesmos motores. A versão top de linha XLS, avaliada, é equipada com um 1.5 16V, com duplo comando variável movimentado por corrente. A unidade é capaz de gerar, com etanol, 110 cv de potência e 14,9 kgfm de torque. Com gasolina, os números caem para 105 cv e 14,3 kgfm. A suavidade de funcionamento agrada, assim como a elasticidade: a entrega de força é linear em diferentes faixas de rotação.
 
Mecanicamente, a grande diferença entre o Toyota Yaris hatch e a linha Etios está no câmbio. No lugar da ultrapassada caixa de quatro marchas, há um mecanismo do tipo CVT, semelhante ao do atual Corolla. Bem-casada com o motor, a transmissão responde com agilidade, enquanto as sete marchas simuladas quebram um pouco a monotonia típica desse tipo de sistema. Se o motorista quiser, pode trocá-las sequencialmente, por meio de aletas no volante. Trata-se de um recurso útil e raro entre os carros compactos.
 
O desempenho proporcionado pelo conjunto mecânico do Toyota Yaris hatch está longe de ser empolgante, mas tampouco fica aquém do que se espera. Na cidade, há fôlego suficiente para arrancar rapidamente em semáforos ou encarar subidas com alguma disposição. Na estrada, o modelo vai bem apenas se estiver vazio. Quando carregado, já começa a exigir mais paciência em ultrapassagens.
 
Rodar é confortável, mas direção deveria ser mais direta
 
A suspensão utiliza arquitetura tradicional: a dianteira traz conjuntos do tipo McPherson, enquanto na traseira há eixo de torção. O sistema é bastante eficiente em absorver as irregularidades do piso, ao custo de alguma rolagem da carroceria em curvas. Como resultado, o Toyota Yaris hatch tem estabilidade satisfatória, mas nada além disso. Tudo bem: questão de calibragem, que priorizou mais um parâmetro que outro.
 
A direção elétrica do Yaris XLS é que poderia ser mais precisa. Ocorre que ela é muito desmultiplicada, o que atrapalha a condução em velocidades mais altas. Além disso, tem retorno muito lento em manobras. Não por coincidência, o comportamento é o mesmo observado no Etios. Já os freios utilizam discos ventilados no eixo dianteiro e tambores no traseiro. Esse conjunto consegue proporcionar frenagens seguras ao modelo.
 
Consumo: razoável na cidade e bom na estrada
 
Nas aferições realizadas pelo AutoPapo, o Toyota Yaris hatch obteve boas médias de consumo na estrada, mas não na cidade. Abastecido com etanol, o modelo cravou 10,4 km/l no ciclo rodoviário e 6,3 km/l no urbano. Vale destacar que o tanque comporta apenas 45 litros. A capacidade pequena do reservatório limita a autonomia a 468 km com o combustível vegetal.
 
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Talvez em função das condições de tráfego, o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBE) do Inmetro registrou números diferentes na segunda situação, embora parecidos na primeira: 10,6 km/l e 8,9 km/l, respectivamente, com o mesmo combustível. Com gasolina, o PBE indica 14,4 km/l e 13 km/l, na ordem.
 
Yaris XLS é o mais equipado da gama
 
A versão XLS é a mais equipada da gama do Toyota Yaris hatch. Consequentemente, é também a mais cara: o preço sugerido é de R$ 78.990. Todo o conteúdo é de série; o único opcional é a pintura metálica, que adiciona R$ 900 ao preço final. A garantia é de três anos, e as revisões têm preços tabelados até os 60 mil quilômetros. Entre os itens de segurança, há sete airbags (frontais, laterais, do tipo cortina e para os joelhos do motorista), controles de estabilidade e tração, ganchos Isofix para fixação de cadeirinhas no banco traseiro e freios ABS com EBD.
 
O Yaris XLS traz também central multimídia com tela sensível ao toque de 7 polegadas, sistema de áudio com leitor MP3, entrada USB, Bluetooth e conexão para smartphones por meio de espelhamento, câmera de ré, teto solar, chave presencial com botão de partida, rodas de liga leve de 15 polegadas, lanternas traseiras de LED, ar-condicionado digital, computador de bordo, controlador de velocidade de cruzeiro, alarme, faróis de neblina, vidros elétricos nas quatro portas, travas elétricas com acionamento à distância, retrovisores com ajuste e rebatimento elétrico, limpadores de para-brisa com acionamento automático e assistente de partida em rampa.
 
Toyota Yaris hatch: mais ao gosto do mercado brasileiro
 
Entre os dois gêmeos, um mais despojado e o outro mais sofisticado, não é difícil apontar um preferido. O Toyota Yaris hatch mantém as qualidades do Etios e agrega outras, já identificadas. É verdade, seus preços são mais elevados, mas isso se justifica pelo padrão de acabamento e pelo nível de equipamentos. A julgar pelas similaridades de projeto e pelo desempenho comercial, não será surpresa se um dos irmãos “matar” o outro dentro de alguns anos, tornando-se o único compacto da marca japonesa no país.
 
Fonte:Auto Papo